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Sementes de Breu Amesclao – Trattinnickia rhoifolia

Vendido por: Emergente Florestal
Disponibilidade:

Fora de estoque


Família: Burseraceae
Espécie: Trattinnickia rhoifolia Willd.
Divisão: Magnoliophyta (Angiospermae)
Classe: Magnoliopsida (Dicotyledoneae)
Ordem: Sapindales

Este produto está fora de estoque e indisponível.

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Introdução & Nomenclatura do Breu-amesclão

Na grande e complexa farmácia da Floresta Amazônica, existem árvores que são reverenciadas não apenas por sua madeira ou por seus frutos, mas por sua “alma” aromática, a resina que oferecem como um bálsamo para o corpo e para o espírito. O Breu-amesclão, cientificamente conhecido como Trattinnickia rhoifolia, é um dos mais nobres representantes deste grupo de árvores sagradas. Seu nome popular é uma composição que descreve perfeitamente sua principal característica. “Breu” é o nome genérico dado a diversas resinas vegetais aromáticas utilizadas como incenso e para calafetar embarcações. O complemento “Amesclão” ou “Almesclão” é uma referência ao almíscar (mesc), um perfume forte e penetrante, aludindo à intensidade de sua fragrância. Conhecê-lo é descobrir uma das fontes do mais autêntico e poderoso incenso brasileiro, uma resina que é utilizada em rituais, em defumações e na medicina popular por suas propriedades purificadoras e curativas.

A nomenclatura científica, Trattinnickia rhoifolia Willd., nos posiciona dentro da importante e aromática família Burseraceae, a mesma dos incensos mais famosos do mundo, o Olíbano (*Boswellia sacra*) e a Mirra (*Commiphora myrrha*). Esta herança familiar já nos indica a nobreza e o potencial da resina do Breu-amesclão. O gênero Trattinnickia foi nomeado em homenagem ao botânico austríaco Leopold Trattinnick. O epíteto específico, rhoifolia, significa “com folhas de *Rhus*”, referindo-se à semelhança de suas folhas compostas com as de plantas do gênero *Rhus* (a família do sumagre). A espécie foi descrita no início do século XIX e, ao longo do tempo, outras variações foram descritas, como a subespécie *sprucei*, que hoje são consideradas parte da mesma e diversa espécie. Estudar o Breu-amesclão é valorizar um pilar da cultura e da espiritualidade amazônica. É entender como a resina de uma árvore pode se transformar em fumaça que limpa, em remédio que acalma e em um elo de conexão com o sagrado. Cada gota de seu breu é uma concentração da força e do espírito da floresta.

Aparência: Como reconhecer o Breu-amesclão

A identificação do Breu-amesclão na floresta é o reconhecimento de um gigante do dossel amazônico, uma árvore de porte majestoso cuja verdadeira identidade se revela através de seu aroma e de sua seiva. A Trattinnickia rhoifolia é uma árvore de grande porte, que pode atingir de 20 a 35 metros de altura. O tronco é reto e cilíndrico, com uma casca de cor acinzentada a avermelhada, que pode ser lisa ou com finas fissuras. A copa é ampla e arredondada, posicionada no estrato superior da floresta, onde recebe a luz do sol. A característica mais marcante da árvore, no entanto, é a sua resina. Ao se fazer um corte na casca, exuda-se um látex ou resina de cor branca a amarelada, muito abundante e extremamente aromática. Esta resina, ao entrar em contato com o ar, se solidifica, formando pedras de breu que podem ser coletadas no tronco ou no chão da floresta.

As folhas do Breu-amesclão são compostas e imparipinadas, formadas por vários pares de folíolos e um folíolo terminal. As folhas são grandes, com folíolos de formato elíptico a oblongo e de textura firme. A floração é discreta, como em muitas grandes árvores da floresta. As flores são muito pequenas, de cor creme a esverdeada, e se agrupam em grandes inflorescências (panículas) que surgem nas pontas dos ramos. Embora não tenham um grande apelo visual, são perfumadas e muito importantes para os insetos polinizadores. Após a polinização, formam-se os frutos, que são pequenas drupas, ou seja, frutos carnosos com um único caroço no interior. Os frutos são de formato oval, e quando maduros, adquirem uma coloração escura, roxa ou preta. São frutos muito apreciados pela fauna, especialmente por aves e macacos. A aparência do Breu-amesclão é a de uma árvore nobre e robusta, que não precisa de flores exuberantes para mostrar seu valor. Sua riqueza está em sua seiva, em seu coração aromático que pulsa com o perfume da Amazônia.

Ecologia, Habitat & Sucessão do Breu-amesclão

A ecologia da Trattinnickia rhoifolia é a de uma espécie de vida longa, um componente estrutural das florestas maduras e bem conservadas da Bacia Amazônica. O Breu-amesclão é uma árvore nativa da região norte da América do Sul, com ampla ocorrência no Brasil, principalmente no bioma Amazônia. Ele é encontrado nos estados do Acre, Amazonas, Amapá, Pará, Rondônia e Roraima, com incursões em áreas de transição no Maranhão e no Mato Grosso, que fazem parte do bioma Cerrado. Sua plasticidade ecológica é notável, pois é uma das espécies que habita tanto a Floresta de Terra Firme quanto as Florestas de Várzea e Igapó, demonstrando uma grande capacidade de se adaptar a diferentes tipos de solo e regimes de inundação.

No que tange à sucessão ecológica, o Breu-amesclão é uma espécie de estágios tardios, sendo classificada como secundária tardia a clímax. Sua estratégia de vida é a da paciência e da longevidade. Ela não é uma pioneira que coloniza rapidamente áreas abertas. Pelo contrário, suas plântulas são tolerantes à sombra e se desenvolvem lentamente sob a proteção do dossel da floresta, esperando por uma oportunidade, como a queda de uma árvore vizinha, para acelerar seu crescimento e alcançar os estratos superiores. Este crescimento lento é o que lhe permite produzir uma madeira de boa qualidade e uma resina rica em compostos complexos. A resina, aliás, desempenha um papel ecológico fundamental como um mecanismo de defesa da árvore. Ao escorrer sobre um ferimento na casca, ela sela a porta de entrada para o ataque de insetos e de fungos, funcionando como um curativo natural e antisséptico. As interações da árvore com a fauna são vitais. Suas flores são polinizadas por pequenos insetos. Seus frutos carnosos são um importante recurso alimentar para uma vasta gama de animais, incluindo aves, como tucanos e jacus, e mamíferos, como macacos e morcegos. Ao se alimentarem dos frutos, estes animais realizam a dispersão das sementes (zoocoria), garantindo que a árvore se regenere e colonize novos locais na floresta. O Breu-amesclão é, portanto, um pilar da biodiversidade, uma árvore que estrutura a floresta, se defende com sua química e se perpetua através de sua generosidade com a fauna.

Usos e Aplicações do Breu-amesclão

A Trattinnickia rhoifolia é uma das plantas de uso múltiplo mais importantes da Amazônia, um verdadeiro tesouro da floresta em pé, cujas aplicações permeiam a cultura, a saúde e a economia das populações locais. O uso mais nobre e difundido do Breu-amesclão é o de sua resina aromática, o breu. Este produto não madeireiro é o coração da identidade da árvore. Na cultura e na espiritualidade, o breu é queimado como incenso em rituais de defumação para a limpeza e a purificação de ambientes e de pessoas, para afastar maus espíritos e para criar uma atmosfera sagrada em cerimônias. Seu aroma forte e penetrante é considerado uma forma de comunicação com o mundo espiritual. Na medicina popular, a resina e a fumaça de sua queima são utilizadas para o tratamento de uma variedade de males. É empregada como expectorante e descongestionante para problemas respiratórios, como asma, bronquite e sinusite. Também possui propriedades analgésicas e anti-inflamatórias, sendo usada em emplastros para aliviar dores de cabeça e dores reumáticas. Sua ação antisséptica e cicatrizante a torna útil no tratamento de feridas e problemas de pele.

Além de seu uso medicinal e espiritual, a resina do Breu-amesclão tem importantes aplicações industriais. É utilizada na fabricação de vernizes, lacas e tintas de alta qualidade. Por ser impermeável, é um componente essencial na calafetagem de embarcações de madeira, uma tecnologia tradicional e indispensável para a vida nos rios da Amazônia. A indústria de cosméticos e de perfumaria também utiliza o breu por seu aroma único e por suas propriedades terapêuticas. A madeira do Breu-amesclão é de boa qualidade, sendo moderadamente pesada e fácil de ser trabalhada. É utilizada na construção civil leve, para estruturas internas, e na marcenaria, para a confecção de móveis e caixotaria. No entanto, o valor de sua resina é tão grande que a árvore é muito mais valorizada em pé do que derrubada. Na restauração ecológica, seu plantio em áreas de enriquecimento na Amazônia é importante para a recomposição de espécies de clímax. A decisão de cultivar o Breu-amesclão é uma escolha por um modelo de bioeconomia que valoriza os produtos da floresta em pé, que gera renda para as comunidades extrativistas e que protege um conhecimento ancestral e uma farmácia natural de valor inestimável.

Cultivo & Propagação do Breu-amesclão

O cultivo do Breu-amesclão é um ato de paciência, um investimento de longo prazo na produção de uma das resinas mais valiosas da Amazônia e na conservação de uma espécie chave da nossa floresta. A propagação da Trattinnickia rhoifolia é feita principalmente por sementes, que estão contidas dentro de seus pequenos frutos carnosos. O sucesso do cultivo depende do manuseio correto das sementes e da simulação das condições de seu habitat natural. O primeiro passo é a coleta dos frutos, que deve ser feita quando eles estão maduros, o que pode ser percebido pela mudança de cor para tons escuros e pela queda natural da árvore. É importante coletar os frutos frescos, diretamente da árvore ou do chão, logo após a queda.

As sementes devem ser extraídas da polpa dos frutos. Para isso, os frutos podem ser deixados de molho em água por um dia para amolecer a polpa, que deve ser removida manualmente, lavando-se as sementes em água corrente. As sementes de Breu-amesclão são consideradas recalcitrantes, o que significa que perdem a viabilidade rapidamente se forem secas. Portanto, a semeadura deve ser feita o mais breve possível após a coleta e o beneficiamento. Elas não costumam apresentar dormência profunda, e tratamentos pré-germinativos complexos não são geralmente necessários. A semeadura deve ser feita em recipientes individuais, como saquinhos ou tubetes, utilizando um substrato rico em matéria orgânica, que imite o solo da floresta. Os recipientes devem ser mantidos em um local com sombra parcial (cerca de 50% de sombreamento), pois as plântulas são adaptadas a nascer sob a proteção da floresta. O substrato deve ser mantido sempre úmido. A germinação é lenta e pode ser irregular, levando de 30 a 90 dias para ocorrer. O desenvolvimento das mudas também é lento, como é típico de espécies de clímax. Elas devem permanecer no viveiro por um período de 8 a 12 meses, ou até atingirem um porte de 30 a 50 cm, antes de serem levadas para o local definitivo. O plantio no campo deve ser feito em sistemas de enriquecimento florestal ou em áreas que já possuam alguma cobertura, pois as plantas jovens necessitam de sombra para se estabelecerem. O cultivo do Breu-amesclão é um compromisso com a floresta, uma forma de garantir a produção sustentável de sua resina sagrada e de perpetuar a existência deste gigante aromático para as futuras gerações.

Referências

• Lorenzi, H. (2002). Árvores Brasileiras: Manual de Identificação e Cultivo de Plantas Arbóreas Nativas do Brasil, Vol. 2. 2ª ed. Nova Odessa, SP: Instituto Plantarum.
Flora e Funga do Brasil. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em: <http://floradobrasil.jbrj.gov.br/>. Acesso contínuo para a verificação da nomenclatura oficial, sinônimos e distribuição geográfica da espécie *Trattinnickia rhoifolia*.
• Pennington, T. D. (2006). Flora da Reserva Ducke, Amazonas, Brasil: Burseraceae. *Rodriguésia*, 57(2), 341-351.
• Daly, D. C., & Martínez-Habibe, M. C. (2010). A new species of *Trattinnickia* (Burseraceae) from western Amazonia. *Brittonia*, 62(3), 221-225.
• Artigos científicos sobre a composição química e as propriedades medicinais da resina de “breu”, e sobre a ecologia e a dispersão de sementes de espécies da família Burseraceae, disponíveis em bases de dados como SciELO, PubMed e Google Scholar.
• Publicações de instituições como o INPA (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia) sobre produtos florestais não madeireiros.

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