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Sementes de Cacau – Theobroma cacao

Vendido por: Emergente Florestal
Disponibilidade:

Fora de estoque


Família: Malvaceae
Espécie: Theobroma cacao L.
Divisão: Magnoliophyta (Angiospermae)
Classe: Magnoliopsida (Dicotyledoneae)
Ordem: Malvales

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Introdução & Nomenclatura do Cacau

Na grande despensa da biodiversidade das Américas, poucas plantas alcançaram um status tão lendário e uma influência global tão profunda quanto o Cacaueiro, a árvore que nos dá o cacau, cientificamente conhecida como Theobroma cacao. O seu nome popular, “cacau”, é um eco direto das línguas dos povos originários da América Central, como os Maias e os Astecas, que o chamavam de “kakawa”. Para estas civilizações pré-colombianas, o cacau não era um doce, mas uma bebida amarga e sagrada, um presente dos deuses, um símbolo de poder e uma moeda de troca valiosa. Outros nomes, como Cacau-da-mata, o distinguem de variedades cultivadas. Conhecer a história do Cacaueiro é entender como uma semente amarga, através de um complexo processo de transformação cultural e gastronômica, se tornou a base para o chocolate, um dos alimentos mais democráticos e universalmente amados do planeta.

A nomenclatura científica, Theobroma cacao L., é uma das mais belas e apropriadas de toda a botânica. O nome do gênero, Theobroma, foi cunhado pelo grande botânico sueco Carl Linnaeus, a partir da junção de duas palavras gregas: “theos” (deus) e “broma” (alimento). “Alimento dos deuses” foi a forma que Lineu encontrou para honrar a importância mitológica e o status reverencial que o cacau possuía entre as civilizações do Novo Mundo. O epíteto específico, cacao, como já vimos, consagra seu nome nativo. A história da espécie no Brasil é fascinante. Embora seja nativa da bacia amazônica, acredita-se que ela tenha sido manejada e dispersa por populações indígenas desde tempos pré-colombianos. Mais tarde, foi introduzida no sul da Bahia, onde encontrou um terroir perfeito e deu origem a uma das mais importantes regiões produtoras do mundo, criando uma cultura e uma economia que moldaram a história do Brasil. Estudar o Cacaueiro é, portanto, uma viagem pela história, pela antropologia e pela economia. É reconhecer que, por trás de cada tablete de chocolate, existe uma árvore magnífica, uma floresta complexa e um legado de saberes que atravessa milênios.

Aparência: Como reconhecer o Cacau

A identificação do Cacaueiro na paisagem é o reconhecimento de uma árvore de sub-bosque, de uma beleza tropical e com um modo de frutificação que desafia a nossa lógica. A Theobroma cacao é uma árvore de porte pequeno a médio, que geralmente atinge de 5 a 10 metros de altura, embora possa chegar a 20 metros. Sua arquitetura é adaptada à vida sob a sombra de árvores maiores. A copa é densa e os galhos se espalham horizontalmente. O tronco é fino, com uma casca lisa e de cor marrom-escura.

As folhas são grandes, simples, de formato oblongo a elíptico, e de uma textura firme (coriácea). Elas são de um verde-escuro e brilhante e pendem dos galhos, conferindo à árvore uma aparência luxuriante. A característica mais surpreendente e inconfundível do Cacaueiro, no entanto, é a caulifloria. Este é o fenômeno em que as flores e, consequentemente, os frutos, nascem diretamente do tronco e dos galhos mais grossos e lenhosos, e não nas pontas dos ramos novos. A floração é um evento de uma beleza delicada e exótica. As flores são muito pequenas, com cerca de 1 a 2 cm de diâmetro, e surgem em pequenos cachos sobre a casca do tronco. Elas possuem cinco pétalas que podem ser brancas, amareladas ou rosadas, e uma estrutura complexa que parece uma pequena orquídea. Após a polinização, que é um processo fascinante, formam-se os frutos, os famosos cacaus. O fruto é uma baga grande, de formato que varia do elíptico ao fusiforme, com uma casca grossa que pode ser lisa ou com sulcos longitudinais. A cor do fruto maduro é um espetáculo à parte, variando do verde ao amarelo, laranja, vermelho ou roxo, dependendo da variedade. Ao ser aberto, o fruto revela seu interior: de 20 a 60 sementes grandes, as amêndoas de cacau, completamente envoltas por uma polpa branca, adocicada, aromática e mucilaginosa. Esta polpa, além de proteger as sementes, é um deleite para a fauna e também para o homem.

Ecologia, Habitat & Sucessão do Cacau

A ecologia do Theobroma cacao é a de uma espécie especialista do sub-bosque das florestas tropicais úmidas, uma planta que prospera na penumbra e na complexa teia de vida do chão da mata. O Cacaueiro é uma espécie nativa da região amazônica, com sua ocorrência natural no Brasil concentrada no bioma Amazônia. No entanto, devido ao seu imenso valor econômico, foi introduzido e se naturalizou perfeitamente na região da Mata Atlântica do sul da Bahia, onde criou um novo centro de diversidade e de cultura. Seu habitat natural é o interior da Floresta de Terra Firme, o sub-bosque da Floresta Ombrófila, onde cresce sob a sombra protetora das grandes árvores do dossel. É uma planta que necessita de um ambiente com alta umidade, temperaturas estáveis e solos ricos em matéria orgânica.

No que tange à sucessão ecológica, o Cacaueiro é uma espécie clímax, ou de estágios tardios da sucessão. Ele é esciófita, ou seja, tolerante à sombra, uma característica essencial para sobreviver no ambiente de baixa luminosidade do chão da floresta. Seu ciclo de vida é longo e seu crescimento é adaptado a este ambiente. As interações do Cacaueiro com a fauna são um dos exemplos mais delicados e específicos de coevolução. Sua polinização é um desafio. As flores complexas e pequenas não são polinizadas por abelhas ou beija-flores, mas sim por insetos minúsculos, pequenas moscas do gênero *Forcipomyia*, que são conhecidas como “mosquitinhos do cacau”. Apenas estes pequenos seres conseguem navegar pela estrutura da flor e realizar a polinização. A dependência de um polinizador tão específico torna a produção de frutos um evento delicado, que depende da saúde de todo o ecossistema ao redor. A dispersão de suas sementes é feita principalmente por mamíferos (zoocoria). Macacos e outros animais são atraídos pela polpa doce que envolve as sementes. Eles quebram a casca dura do fruto, consomem a polpa e, geralmente, descartam as sementes amargas, espalhando-as pela floresta. Este intrincado balé de interações mostra como o Cacaueiro está profundamente integrado à sua floresta natal.

Usos e Aplicações do Cacau

A Theobroma cacao é uma das plantas economicamente mais importantes do mundo, a fonte de uma indústria global bilionária e de um dos alimentos mais amados pela humanidade. O principal e mais transformador uso do Cacau é a produção de chocolate. Este processo é uma verdadeira alquimia, que transforma as sementes amargas em um produto de sabor e aroma complexos. O processo começa com a colheita dos frutos, seguida da quebra das cascas e da retirada das sementes envoltas na polpa. O passo seguinte é a fermentação. As sementes com a polpa são colocadas em caixas de madeira e cobertas. A polpa doce fermenta, gerando calor e álcool, em um processo que dura vários dias e que é absolutamente crucial para eliminar o amargor e desenvolver os precursores do sabor de chocolate dentro da amêndoa. Após a fermentação, as amêndoas são postas para secar ao sol. Uma vez secas, elas são torradas, um passo que finalmente revela o aroma característico do chocolate. As amêndoas torradas são então moídas para se obter a massa ou licor de cacau, que pode ser prensada para separar seus dois componentes principais: a manteiga de cacau (a parte gordurosa) e a torta de cacau, que depois é moída para se tornar o cacau em pó. A recombinação desses ingredientes em diferentes proporções, com a adição de açúcar e leite, dá origem a todos os tipos de chocolate que conhecemos.

Além do chocolate, o Cacau oferece outros produtos valiosos. A polpa branca e adocicada que envolve as sementes pode ser consumida fresca e é utilizada para fazer um delicioso suco, conhecido como “suco de cacau”. A manteiga de cacau é um produto nobre, amplamente utilizado na indústria de cosméticos, em batons, cremes e loções, por suas propriedades emolientes e hidratantes, e também na indústria farmacêutica. No campo, o cultivo do Cacau deu origem a um sistema agroflorestal tradicional e de grande importância para a conservação da Mata Atlântica: a cabruca. Na cabruca, os cacaueiros são plantados sob a sombra de árvores nativas da floresta, em um sistema que concilia a produção agrícola com a manutenção de uma parte da biodiversidade local. É um modelo de agricultura que nos ensina sobre a possibilidade de se produzir em harmonia com a natureza. Cultivar o Cacau é, portanto, participar de uma cadeia de valor que envolve história, cultura, gastronomia, saúde, beleza e, quando bem manejada, a própria conservação das nossas florestas.

Cultivo & Propagação do Cacau

O cultivo do Cacaueiro é uma arte que busca recriar as condições do sub-bosque da floresta tropical, um trabalho que exige cuidado com a sombra e a umidade, mas que recompensa com o “alimento dos deuses”. A propagação da Theobroma cacao pode ser feita tanto por sementes quanto por métodos vegetativos, como a enxertia. A propagação por sementes é o método tradicional, mas o mais importante a se saber é que as sementes de cacau são extremamente recalcitrantes. Elas não possuem nenhuma dormência e perdem a capacidade de germinar em poucos dias após serem retiradas do fruto. Devem ser plantadas imediatamente. O primeiro passo é coletar as sementes de frutos maduros e sadios, lavando-as para remover completamente a polpa.

A semeadura deve ser feita em recipientes individuais, como saquinhos plásticos, utilizando um substrato rico em matéria orgânica e que retenha bem a umidade. As sementes devem ser plantadas com a parte mais chata para baixo, e cobertas com uma fina camada de substrato (cerca de 1 a 2 cm). A etapa mais crítica no cultivo das mudas é o sombreamento. As plântulas de cacau são adaptadas a nascer na sombra da floresta e não toleram sol pleno. O viveiro deve ser mantido com cerca de 70% a 80% de sombra. O substrato deve estar sempre úmido. A germinação ocorre geralmente entre 1 e 3 semanas. O crescimento das mudas é moderado. Elas devem permanecer no viveiro por 4 a 6 meses, até atingirem de 30 a 40 cm. O plantio no local definitivo deve ser feito no início da estação chuvosa, e sempre em um sistema sombreado. O Cacaueiro pode ser plantado sob a sombra de árvores já existentes (como no sistema de cabruca) ou em consórcio com outras culturas que lhe forneçam sombra temporária, como a bananeira. A enxertia é um método muito utilizado na cacauicultura moderna. Ela permite clonar plantas com alta produtividade e resistência a doenças, garantindo a qualidade do pomar e antecipando a produção, que em plantas de semente leva de 4 a 5 anos, e em plantas enxertadas pode começar em 2 a 3 anos. O cultivo do cacau é uma lição sobre a importância da sombra e do cuidado, um processo que nos reconecta com os ritmos da floresta.

Referências

• Lorenzi, H., et al. (2006). Frutas Brasileiras e Exóticas Cultivadas. Nova Odessa, SP: Instituto Plantarum.
Flora e Funga do Brasil. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em: <http://floradobrasil.jbrj.gov.br/>. Acesso contínuo para a verificação da nomenclatura oficial, sinônimos e da vasta distribuição geográfica da espécie.
• Publicações e manuais técnicos da CEPLAC (Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira), que é a principal instituição de pesquisa sobre o cacau no Brasil.
• Coe, S. D., & Coe, M. D. (2013). The True History of Chocolate. 3rd ed. Thames & Hudson. (Nota: Referência fundamental sobre a história e a cultura do cacau).
• Artigos científicos sobre a polinização, a genética, o cultivo e as propriedades do cacau, disponíveis em bases de dados como SciELO e Google Scholar.
• Livros e publicações sobre sistemas agroflorestais e o sistema de cultivo “cabruca” na Bahia.

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