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Sementes de Canela de velho – Miconia albicans

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Família: Melastomataceae
Espécie: Miconia albicans
Divisão: Magnoliophyta (Angiospermae)
Classe: Magnoliopsida (Dicotiledôneas)
Ordem: Myrtales

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Introdução & Nomenclatura da Canela-de-velho

No grande e riquíssimo universo da flora medicinal brasileira, poucas plantas alcançaram um status tão célebre e uma popularidade tão vasta quanto a Canela-de-velho, cientificamente conhecida como Miconia albicans. Seu nome popular é uma obra-prima da poesia e da observação popular. “Canela” pode se referir aos seus ramos finos e eretos, e “de-velho” é uma alusão direta à característica mais marcante de suas folhas: a face inferior é coberta por uma densa camada de pelos brancos e finos, que se assemelham à barba ou aos cabelos brancos de um ancião. É um nome que evoca sabedoria, antiguidade e, profeticamente, seu principal uso: o alívio das dores que chegam com o tempo, como a artrose e a artrite. Seus outros nomes, como Folha-branca ou Pixirica-branca, também são descrições diretas desta sua aparência esbranquiçada e aveludada. Conhecer a Canela-de-velho é, portanto, mais do que aprender sobre uma planta; é se conectar com um fenômeno cultural, com uma esperança de alívio que brota dos campos e cerrados do Brasil, e com uma espécie de uma resiliência e de uma generosidade admiráveis.

A nomenclatura científica, Miconia albicans (Sw.) Steud., nos posiciona dentro da imensa e fascinante família Melastomataceae, uma das mais representativas e diversas dos trópicos americanos. O gênero Miconia é um dos maiores do reino vegetal, com mais de mil espécies, e é famoso por suas flores delicadas e por suas folhas com nervuras curvas e paralelas, uma assinatura da família. O epíteto específico, albicans, vem do latim e significa “que se torna branco” ou “esbranquiçado”, uma escolha perfeita para descrever a face inferior de suas folhas. A história taxonômica da espécie é relativamente estável, com o nome *Miconia albicans* sendo amplamente consolidado, embora por vezes apareça na literatura como *Miconia albicans* (Sw.) Triana, uma variação na autoria da combinação. Estudar a Canela-de-velho é valorizar uma das mais importantes plantas da nossa sociobiodiversidade. É entender como o conhecimento tradicional, passado de geração em geração, reconheceu em uma planta de aparência simples um poder de cura imenso, um conhecimento que hoje é investigado pela ciência e que transformou este arbusto do Cerrado em um fenômeno de saúde e de bem-estar em todo o país.

Aparência: Como reconhecer a Canela-de-velho

A identificação da Canela-de-velho no campo é uma experiência tátil e visual, marcada pela textura única de suas folhas e pela sua arquitetura robusta. A Miconia albicans se apresenta como um arbusto ou uma pequena árvore, de porte ereto, que pode atingir de 1 a 4 metros de altura. Ela forma moitas densas, com múltiplos ramos que partem de uma base lenhosa, conferindo-lhe um aspecto de resistência e de força. Os ramos jovens são de secção quadrangular e, assim como as folhas, são cobertos por uma densa camada de pelos esbranquiçados, de aspecto aracnoide (semelhante a uma teia de aranha).

As folhas são a sua característica mais inconfundível e a origem de seu nome. Elas são simples, opostas, e de formato que varia de oval a oblongo, com uma textura firme (cartácea). A face superior (adaxial) é de um verde-escuro e pode ser áspera ao toque. A face inferior (abaxial), no entanto, é o seu grande espetáculo. Ela é completamente coberta por um denso indumento de pelos brancos ou acinzentados, que lhe conferem uma textura de veludo ou de feltro e uma coloração prateada que brilha sob o sol. Esta cobertura de pelos é uma adaptação brilhante para sobreviver nos ambientes ensolarados e secos do Cerrado, pois ajuda a refletir o excesso de luz e a reduzir a perda de água. Outra característica marcante das folhas é a sua nervação: elas possuem 3 ou 5 nervuras longitudinais curvas e proeminentes, que partem da base da folha e correm em direção ao ápice, um padrão conhecido como nervação acródroma, que é a assinatura da família Melastomataceae. A floração ocorre em inflorescências terminais, do tipo panícula, que se projetam acima da folhagem. As flores são pequenas e delicadas, com cinco pétalas de cor branca a levemente rosada. As anteras dos estames, também brancas, são um detalhe charmoso. Embora as flores não sejam o principal atrativo ornamental, a floração é abundante e muito importante para a fauna. Após a polinização, formam-se os frutos, que são pequenas bagas globosas. Eles passam da cor verde para o roxo-escuro ou preto quando maduros, e são muito apreciados pelos pássaros. A imagem de um arbusto de Canela-de-velho, com suas folhas de um verde-escuro por cima e de um branco-neve por baixo, balançando ao vento, é um dos postais mais autênticos e belos dos nossos cerrados e campos.

Ecologia, Habitat & Sucessão da Canela-de-velho

A ecologia da Miconia albicans é a de uma generalista de sucesso, uma espécie de uma plasticidade e de uma capacidade de colonização extraordinárias, o que a torna uma das plantas mais comuns e de mais ampla distribuição no Brasil. A Canela-de-velho é uma verdadeira cidadã do território brasileiro, ocorrendo de forma nativa em quase todos os biomas: Amazônia, Caatinga, Cerrado e Mata Atlântica. Sua capacidade de prosperar em uma gama tão diversa de ambientes é um testemunho de sua incrível resiliência. Ela é um componente fundamental do estrato arbustivo do Cerrado, dos Campos Rupestres, das Restingas e das Campinaranas amazônicas. É uma espécie que habita preferencialmente os ambientes abertos e ensolarados, sendo uma especialista em solos pobres, ácidos e bem drenados.

No grande processo de sucessão ecológica, a Canela-de-velho é uma espécie pioneira por excelência. Ela é uma das primeiras espécies arbustivas a colonizar áreas degradadas, pastagens abandonadas, beiras de estradas e áreas que sofreram queimadas. Sua capacidade de rebrotar vigorosamente a partir de sua base lenhosa após o fogo é uma de suas principais estratégias de sobrevivência no Cerrado. Ao se estabelecer rapidamente, ela desempenha um papel ecológico crucial. Suas moitas densas ajudam a proteger o solo contra a erosão, a criar sombreamento inicial e a melhorar as condições do microclima, facilitando o estabelecimento de outras espécies. As interações da *Miconia albicans* com a fauna são um dos seus maiores serviços ecossistêmicos. Suas flores, embora pequenas, são produzidas em grande quantidade e atraem uma vasta gama de insetos polinizadores, especialmente abelhas. A frutificação, no entanto, a transforma em um verdadeiro banquete para as aves. Seus pequenos frutos arroxeados, ricos em açúcares, são avidamente consumidos por dezenas de espécies de pássaros, como sabiás, sanhaçus, tiês e tico-ticos. Ao se alimentarem, estas aves realizam a dispersão de suas sementes (ornitocoria), espalhando a planta por novas áreas. Esta parceria é tão intensa que a Canela-de-velho é considerada uma espécie-chave para a manutenção das populações de aves frugívoras em muitos ecossistemas, especialmente no Cerrado.

Usos e Aplicações da Canela-de-velho

A Miconia albicans é, sem dúvida, uma das plantas mais importantes da etnofarmacologia brasileira, um verdadeiro fenômeno de uso e de popularidade, cujas aplicações se concentram em suas notáveis propriedades medicinais. O principal uso da Canela-de-velho é no tratamento de doenças articulares. O chá de suas folhas é o remédio popular mais famoso e procurado para o alívio das dores causadas pela artrose e pela artrite. Sua fama se baseia em uma poderosa ação anti-inflamatória e analgésica, que, segundo o conhecimento tradicional, ajuda a reduzir a inflamação, o inchaço e a dor nas articulações. Este uso, que por décadas foi um saber restrito às comunidades rurais, explodiu em popularidade em todo o Brasil, e hoje a Canela-de-velho é comercializada em larga escala em forma de folhas secas, cápsulas, pomadas e géis. A ciência tem se debruçado sobre a planta para validar este conhecimento, e estudos têm identificado em suas folhas a presença de compostos como flavonoides e triterpenos, que possuem comprovada atividade anti-inflamatória e antioxidante.

Além de seu uso consagrado para as dores articulares, a Canela-de-velho é utilizada na medicina popular para uma série de outras finalidades. O chá de suas folhas é empregado como um “depurativo do sangue”, para purificar o organismo, e também para o tratamento de problemas digestivos, como dores de estômago e diarreias. Na restauração ecológica, seu papel como espécie pioneira, rústica e que atrai massivamente a avifauna, a torna uma escolha excelente para a recuperação de áreas degradadas, especialmente no Cerrado. Seu plantio ajuda a acelerar a chegada de outras espécies, através da “chuva de sementes” promovida pelos pássaros. No paisagismo, a Canela-de-velho é uma planta de grande valor ornamental. Sua folhagem, com o contraste do verde-escuro e do branco-prateado, oferece uma textura e uma cor únicas para o jardim. É uma planta perfeita para jardins de baixa manutenção, jardins de estilo naturalista ou para o xeripaisagismo. A grande procura por suas folhas para fins medicinais, no entanto, tem levado a um extrativismo intenso e, por vezes, predatório de suas populações nativas. Por esta razão, o cultivo da Canela-de-velho é uma atividade de extrema importância, que pode garantir uma oferta sustentável da planta e, ao mesmo tempo, proteger suas populações naturais.

Cultivo & Propagação da Canela-de-velho

O cultivo da Canela-de-velho é uma forma de garantir o acesso a uma das mais importantes plantas medicinais do Brasil de forma sustentável e de trazer para o jardim a beleza rústica do Cerrado. A propagação da Miconia albicans é feita principalmente por sementes, que estão contidas dentro de seus pequenos frutos arroxeados. O processo requer paciência e atenção aos detalhes, pois as sementes são muito pequenas. O primeiro passo é a coleta dos frutos, que deve ser feita quando eles estão bem maduros, com a coloração roxo-escura, quase preta. Para extrair as sementes, os frutos devem ser macerados em água e a mistura deve ser passada em uma peneira fina. A polpa e as cascas passarão pela peneira, e as sementes minúsculas ficarão retidas. Elas devem ser lavadas em água corrente e postas para secar à sombra.

As sementes da Canela-de-velho geralmente não apresentam dormência profunda, mas sua germinação pode ser beneficiada pela luz. A semeadura deve ser feita em sementeiras ou bandejas, sobre um substrato leve e bem drenado, como uma mistura de terra e areia. As sementes devem ser espalhadas na superfície e cobertas com uma camada finíssima de substrato peneirado, ou simplesmente não ser cobertas. O local deve ser de boa luminosidade (meia-sombra a sol pleno) e as regas devem ser feitas com um borrifador para não deslocar as sementes. A germinação é geralmente lenta e irregular, podendo levar de 30 a 90 dias. As plântulas são muito pequenas e delicadas no início. Quando atingem um tamanho de 5 a 10 cm, podem ser transplantadas para recipientes individuais. O desenvolvimento das mudas é moderado. O plantio no local definitivo deve ser feito em um local de sol pleno e em um solo bem drenado, que pode ser pobre e ácido, como o do Cerrado. Uma vez estabelecida, a Canela-de-velho é uma planta extremamente rústica, muito resistente à seca e que não exige adubação ou cuidados especiais. É uma planta que prospera com o sol e com a liberdade.

Referências

• Goldenberg, R., Bacci, L.F., Caddah, M.K., & Meirelles, J. (2020). *Miconia* in Flora do Brasil 2020. Jardim Botânico do Rio de Janeiro.
• Lorenzi, H., & Matos, F. J. A. (2008). Plantas Medicinais no Brasil: nativas e exóticas. 2ª ed. Nova Odessa, SP: Instituto Plantarum.
Flora e Funga do Brasil. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em: . Acesso contínuo para a verificação da nomenclatura oficial, sinônimos e da vasta distribuição geográfica da espécie.
• Artigos científicos sobre as propriedades farmacológicas (especialmente anti-inflamatórias e analgésicas) de *Miconia albicans*, e sobre a ecologia da dispersão de sementes por aves no Cerrado, disponíveis em bases de dados como SciELO, PubMed e Google Scholar.
• Cogniaux, A. (1886-1888). Melastomataceae. In: Martius, C.F.P., Eichler, A.G. & Urban, I. (eds.), *Flora Brasiliensis*. Vol 14, pars 4.
• Manuais de plantas medicinais do Cerrado e guias de campo da flora da região.

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