Infinity@1x-1.0s-249px-249px
0%
Loading ...
, , , , , ,

Sementes de Colonião grande – Axonopus pressus

Vendido por: Verde Novo
Disponibilidade:

Fora de estoque


Família: Poaceae
Espécie: Axonopus pressus
Divisão: Angiospermas
Classe: Liliopsida
Ordem: Poales

Este produto está fora de estoque e indisponível.

Report Abuse

Introdução & Nomenclatura do Colonião-grande

Na imensa e diversificada família das gramíneas, que formam o alicerce de nossos ecossistemas abertos, existem os generais, aquelas espécies de uma robustez e de uma capacidade de domínio extraordinárias. O Colonião-grande, de nome científico Axonopus pressus, é um desses generais. Seu nome popular o compara, em porte e em vigor, ao famoso capim-colonião africano, mas esta é uma força autenticamente brasileira. Não é um invasor, mas um construtor. A sua verdadeira genialidade não está na altura de suas folhas, mas em sua arquitetura subterrânea: uma densa e impenetrável malha de rizomas rígidos e entrelaçados, uma verdadeira armadura que costura o solo, protege a terra da erosão e garante à planta uma resiliência quase indestrutível. É o capim-alicerce, a fundação viva sobre a qual a biodiversidade dos campos se ergue.

O nome científico, Axonopus pressus (Nees ex Steud.) Parodi, é um retrato de sua forma. O gênero, *Axonopus*, como vimos em seus parentes, significa “eixo de pé”, uma referência à maneira como suas inflorescências se arranjam no topo do colmo. O epíteto específico, *pressus*, vem do latim e significa “prensado” ou “comprimido”, uma descrição perfeita da forma como suas bainhas foliares se apresentam, firmemente pressionadas contra o colmo, e da maneira como seus rizomas formam uma camada basal compacta e densa. É uma planta que se firma na terra com uma força visível.

O Colonião-grande é um dos maiores exemplos de sucesso e adaptabilidade da flora brasileira. É uma espécie nativa que conquistou praticamente todo o território nacional, com ocorrências confirmadas em todos os cinco grandes biomas: Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica e Pampa. Esta onipresença, sempre associada a ambientes de campo e de savana, a consagra como uma das gramíneas mais importantes e versáteis do nosso país. Ter uma semente de *Axonopus pressus* em mãos é ter a promessa de cultivar a mais pura força da natureza, uma planta que é a guardiã do solo, a base da cadeia alimentar e um pilar de sustentação para a restauração de nossas paisagens.

Sua longa história de estudo é refletida em seus sinônimos, como *Axonopus barbiger* e *Axonopus ulei*. A própria descrição da espécie a define como “altamente plástica”, um camaleão botânico que, assim como seu parente *Axonopus siccus*, se molda às condições de cada um de seus muitos lares. Esta capacidade de variar sua forma para se adequar ao ambiente é o segredo de sua dominância e de seu sucesso. Ela nos ensina que a verdadeira força não está na rigidez, mas na capacidade de se adaptar e de construir uma fundação sólida, uma lição que este capim escreve na terra com seus rizomas entrelaçados e suas touceiras vigorosas.

Aparência: Como reconhecer o Colonião-grande?

Reconhecer o Colonião-grande é identificar uma gramínea de porte imponente e, principalmente, de uma base de uma solidez inconfundível. A Axonopus pressus é uma erva perene que cresce em touceiras densas e muito robustas (cespitosa), com colmos eretos que podem atingir de 80 cm a mais de 2 metros de altura. Sua característica mais notável e que a distingue de muitas outras gramíneas é a sua base. Os colmos emergem de um rizoma extremamente rígido, lenhoso e de formato falciforme (de foice), com os segmentos se sobrepondo (imbricados) para formar uma malha ou um “pavimento” denso e quase impenetrável na superfície do solo. Esta é a sua armadura subterrânea, uma estrutura de uma força extraordinária.

As folhas são longas, lineares e de textura firme, muitas vezes com as margens ásperas. Elas são a fábrica de energia da planta, capturando a luz do sol para alimentar o crescimento de sua vasta rede de rizomas. As bainhas foliares, que abraçam o colmo, são frequentemente achatadas e muito justas, a característica “prensada” (*pressus*) que lhe dá o nome científico.

A inflorescência do Colonião-grande é uma estrutura delicada e ramificada que contrasta com a robustez da base da planta. No topo de cada haste floral, surge uma panícula composta por 10 ou mais racemos (cachos de flores) finos e alongados. Estes racemos se dispõem de forma digitada ou ao longo de um eixo central, criando uma inflorescência de aparência leve e plumosa, que dança graciosamente com o vento. A raque (o eixo do racemo) é frequentemente ciliada, coberta por pelos finos e esbranquiçados que brilham sob a luz.

As flores, como em todas as gramíneas, são minúsculas e de estrutura simplificada, contidas dentro das espiguetas. A polinização é feita pelo vento, e todo o design da inflorescência é otimizado para liberar e capturar o pólen de forma eficiente nas correntes de ar. A beleza da planta não está em uma única flor, mas na arquitetura coletiva de sua inflorescência, uma nuvem de racemos que se ergue dos campos.

O fruto é uma cariopse, um grão minúsculo e seco, que permanece protegido dentro das brácteas da espigueta. A unidade de dispersão é a própria espigueta, que se desprende da inflorescência para viajar e dar início a uma nova touceira, um novo ponto de ancoragem na vasta paisagem dos campos brasileiros.

Ecologia, Habitat & Sucessão do Colonião-grande

A ecologia da Axonopus pressus é a de um mestre da engenharia de solos e da conquista de ambientes abertos. Esta gramínea é uma espécie-chave dos ecossistemas campestres do Brasil, habitando uma incrível variedade de fisionomias em todos os cinco grandes biomas. Ela é uma das espécies mais características do Campo Limpo, do Campo Rupestre e do Cerrado lato sensu, mas também é encontrada em clareiras e savanas amazônicas e em campos de altitude da Mata Atlântica. É uma planta de pleno sol, que prospera em solos pobres e bem drenados, mas que também demonstra tolerância a ambientes sazonalmente úmidos.

Sua relação com o fogo é uma de suas mais importantes adaptações. O Colonião-grande é uma pirófita de extrema resiliência. Sua base de rizomas densos e lenhosos funciona como um escudo subterrâneo, protegendo as gemas de brotação do calor do fogo. Após uma queimada, ela é uma das primeiras espécies a rebrotar, e o faz com um vigor impressionante, garantindo sua dominância e a rápida recuperação da cobertura vegetal do solo.

Na dinâmica de sucessão, o Colonião-grande é tanto uma espécie pioneira, capaz de colonizar solos nus e degradados, quanto um membro permanente da comunidade clímax dos ecossistemas campestres. Sua presença é fundamental para a estabilidade e a estrutura destas paisagens, funcionando como a “argamassa” que segura o solo e permite que outras formas de vida prosperem.

Sua biologia reprodutiva é uma lição de eficiência. A polinização é realizada pelo vento (anemofilia). A dispersão de suas sementes é uma estratégia mista e oportunista. As pequenas e leves espiguetas são carregadas pelo vento (anemocoria). Elas podem flutuar e ser levadas pela água em áreas de várzea (hidrocoria). E, por fim, podem se prender ao pelo de animais ou à lama em suas patas (epizoocoria). Esta capacidade de usar todos os meios de transporte disponíveis é um dos segredos de sua conquista de todo o território brasileiro.

Usos e Aplicações do Colonião-grande

O Colonião-grande é uma das gramíneas nativas de maior importância funcional no Brasil, com aplicações que são a base para a pecuária sustentável, para a engenharia ambiental e para a conservação de nossos solos e da biodiversidade.

Seu uso mais importante e difundido é na bioengenharia, para o controle da erosão. A sua base de rizomas rígidos, entrelaçados e que formam um tapete denso, é uma das mais eficientes estruturas que a natureza já criou para estabilizar o solo. O plantio da Axonopus pressus é uma das melhores e mais sustentáveis soluções para a contenção de taludes, a recuperação de voçorocas, a estabilização de margens de estradas e a proteção de solos expostos em áreas de mineração ou de grande declividade. É uma verdadeira “manta geotêxtil” viva.

Seu valor como planta forrageira é muito significativo. O Colonião-grande é um componente essencial das pastagens nativas em todo o Brasil. Embora suas folhas sejam um pouco ásperas, é uma forragem de boa qualidade, especialmente para o gado adaptado às condições nativas (gado crioulo). Sua maior vantagem é a sua incrível rusticidade: ela resiste ao pisoteio, à seca e ao fogo, garantindo a disponibilidade de forragem mesmo nas condições mais adversas. É um pilar da pecuária extensiva e um alimento importante para a fauna nativa.

Seu papel na restauração de ecossistemas é fundamental. Por ser uma pioneira agressiva e de fácil estabelecimento, é uma das espécies mais indicadas para iniciar a recuperação de campos e cerrados degradados, fornecendo uma rápida cobertura do solo e criando as condições para o retorno de outras espécies. Seu potencial ornamental, embora menos explorado, é grande para o paisagismo em larga escala, na criação de grandes maciços de gramíneas de aparência selvagem e de baixíssima manutenção.

Cultivo & Propagação do Colonião-grande

Cultivar o Colonião-grande é um processo simples e de grande impacto, ideal para projetos de restauração em larga escala, para a formação de pastagens resilientes ou para a solução de problemas de erosão. A propagação da Axonopus pressus reflete sua natureza vigorosa e sua incrível capacidade de se estabelecer e dominar o ambiente.

A propagação pode ser feita tanto por sementes quanto pela divisão de touceiras. A coleta das sementes deve ser feita quando as inflorescências estão secas e as espiguetas se desprendem com facilidade. As sementes geralmente não apresentam dormência e germinam com facilidade. A semeadura pode ser feita diretamente no campo, a lanço, ou em sementeiras para a produção de mudas. A semeadura deve ser superficial, pois as sementes podem necessitar de luz para germinar.

A divisão de touceiras, ou mais precisamente, de suas placas de rizoma, é um método de propagação vegetativa muito eficiente, especialmente para o uso em controle de erosão. Pedaços do tapete de rizoma podem ser retirados e replantados diretamente na área desejada, garantindo um pegamento e uma cobertura muito rápidos.

A Axonopus pressus é uma planta que exige pleno sol para prosperar. O crescimento é rápido, e a planta forma touceiras densas e se espalha através de seus rizomas, cobrindo o solo em pouco tempo. Uma vez estabelecida, ela é extremamente resistente à seca, ao calor e ao fogo, exigindo pouquíssima ou nenhuma manutenção.

O plantio do Colonião-grande é ideal para a bioengenharia de solos, para a recuperação de pastagens e campos degradados e para a contenção de processos erosivos. É uma planta de trabalho, uma ferramenta viva que a natureza nos oferece para curar as feridas da terra com a força de suas raízes.

Referências utilizadas para o Colonião-grande

Esta descrição detalhada da Axonopus pressus foi construída com base em fontes científicas de alta credibilidade, incluindo a taxonomia oficial da flora brasileira e manuais de referência sobre gramíneas nativas e restauração de ecossistemas. O objetivo foi criar um retrato completo que celebra a importância fundamental e a força oculta desta gramínea tão onipresente e essencial. As referências a seguir são a base de conhecimento que sustenta esta narrativa.

• Delfini, C.; et al. Axonopus in Flora e Funga do Brasil. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em: <https://florabrasil.jbrj.gov.br/FB13050>. Acesso em: 25 jul. 2025. (Fonte primária para dados taxonômicos, morfológicos e de distribuição oficial).
• Filgueiras, T.S. & Rodrigues, R.S. 2015. *Axonopus* in Lista de Espécies da Flora do Brasil. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. (Referência taxonômica anterior para o gênero).
• Valls, J.F.M. & Allem, A.C. 1987. Recursos forrageiros nativos do Pantanal Matogrossense. Embrapa-CENARGEN, Brasília. (Documenta a importância de espécies de *Axonopus* como forrageiras nativas).
• Klink, C.A. & Machado, R.B. 2005. A conservação do Cerrado brasileiro. Megadiversidade, 1(1), 147-155. (Contexto sobre a importância das gramíneas na ecologia e restauração do Cerrado).
• Guala, G.F. 2003. A monograph of *Axonopus* (Poaceae-Paniceae). Systematic Botany Monographs, 65, 1-178. (A mais completa revisão do gênero, fundamental para a compreensão da espécie).
• Parodi, L.R. 1938. Gramíneas austroamericanas nuevas o críticas. II. Notas del Museo de La Plata, Botánica, 3(20), 15-41. (Publicação onde a combinação *Axonopus pressus* foi estabelecida).

CARRINHO DE COMPRAS

close