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Sementes de Pequi – Caryocar brasiliense

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Família: Caryocaraceae
Espécie: Caryocar brasiliense
Divisão: Magnoliophyta (Angiospermae)
Classe: Magnoliopsida (Dicotiledôneas)
Ordem: Malpighiales

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Introdução & Nomenclatura do Pequi

No coração do Brasil, onde o Cerrado estende seu manto de savana, ergue-se uma árvore que é mais do que uma planta: é um ícone cultural, um pilar ecológico e uma fonte de sabor e sustento. Falamos do Pequi ou Pequizeiro, cientificamente conhecido como Caryocar brasiliense. Seu nome, de uma sonoridade tão brasileira, tem origem na língua Tupi, onde “pyqui” ou “peke’i” significa “pele com espinhos”. Não poderia haver descrição mais direta e precisa para o seu caroço, o putâmen, que esconde sob uma polpa amarela e perfumada uma camada de espinhos finos e traiçoeiros, um aviso da natureza para que seu tesouro seja apreciado com cuidado e respeito. O Pequi não é apenas uma árvore; é um elemento central na identidade de povos indígenas, como os Kuikuro, que o consideram uma planta sagrada, e das comunidades sertanejas do Brasil Central, que o transformaram em um ingrediente indispensável de sua culinária e em uma fonte de renda. Conhecer o Pequi é, portanto, mais do que um exercício botânico; é uma imersão em uma teia de sabores, saberes e significados que definem uma parte importante da alma brasileira.

A nomenclatura científica, Caryocar brasiliense Cambess., nos posiciona dentro da pequena, mas notável, família Caryocaraceae. O gênero Caryocar agrupa árvores conhecidas por seus frutos drupáceos e sementes oleaginosas. O epíteto específico, brasiliense, é uma clara referência e homenagem ao seu principal local de ocorrência, o Brasil, onde é uma das espécies mais emblemáticas e de mais ampla distribuição no Cerrado. A espécie foi formalmente descrita pelo botânico francês Jacques Cambessèdes no século XIX. É interessante notar que existe uma subespécie, a *Caryocar brasiliense* subsp. *intermedium*, conhecida como pequi-anão, uma forma arbustiva que mostra a diversidade e a capacidade de adaptação da espécie. Estudar o Pequi é valorizar um patrimônio nacional. É entender que sua preservação não é importante apenas para o equilíbrio do ecossistema, mas também para a manutenção de uma cultura riquíssima que se desenvolveu em torno de seus frutos. Cada semente de Pequi, cada putâmen, não é apenas uma promessa de uma nova árvore, mas a guardiã de uma herança de sabor, nutrição e identidade que alimenta o corpo e a alma do povo do Cerrado.

Aparência: Como reconhecer o Pequi

Reconhecer um Pequizeiro na paisagem do Cerrado é encontrar um monumento de força e beleza rústica. A Caryocar brasiliense é uma árvore de porte médio, geralmente atingindo de 8 a 12 metros de altura, com uma aparência que transmite uma sensação de antiguidade e resistência. Seu tronco é caracteristicamente tortuoso, com um diâmetro que pode variar de 30 a 50 cm, revestido por uma casca espessa, de cor cinza-escuro a castanho, e com profundas fissuras que formam placas retangulares. Esta casca grossa é uma armadura que protege a árvore do fogo periódico que atravessa o Cerrado. A copa do Pequizeiro é ampla, densa e arredondada, formando uma sombra generosa e de excelente qualidade. A arquitetura da árvore, com seus galhos grossos e retorcidos, é uma escultura viva, moldada pelas condições adversas do seu habitat.

A folhagem do Pequi é outro de seus traços distintivos. As folhas são compostas, opostas e trifolioladas, ou seja, cada folha é formada por três grandes folíolos que partem de um mesmo ponto. Os folíolos são de formato oval a elíptico, com uma textura coriácea (semelhante a couro) e são cobertos por uma fina camada de pelos (tomentosos), que lhes confere uma aparência aveludada, especialmente na face inferior. Durante a estação seca, a árvore pode perder parte de suas folhas. A floração é um espetáculo de grande beleza. As flores são grandes, com até 8 cm de diâmetro, e surgem no topo dos ramos, em inflorescências do tipo racemo. Elas são hermafroditas, com pétalas de cor creme a amarelada e um grande número de estames longos e brancos, que se projetam para fora e conferem à flor uma aparência de “pincel-de-estames”. As flores se abrem durante a noite e exalam um perfume forte para atrair seus polinizadores. O fruto, o famoso Pequi, é o tesouro mais conhecido da árvore. É uma drupa globosa, do tamanho aproximado de uma maçã, com uma casca (epicarpo) verde e lisa. No interior, encontra-se de um a quatro caroços, os putâmens. Cada putâmen é envolto por uma polpa (mesocarpo) de cor amarelo-intenso, oleaginosa e de aroma e sabor inconfundíveis. É esta polpa que é utilizada na culinária. Mas é preciso cuidado: logo abaixo da polpa, o endocarpo é uma camada lenhosa e repleta de espinhos finíssimos e pontiagudos. “Roer” o pequi é uma arte que exige perícia para saborear a polpa sem se ferir com os espinhos. No interior do caroço espinhento, encontra-se ainda uma amêndoa ou castanha, também comestível e muito saborosa.

Ecologia, Habitat & Sucessão do Pequi

A Caryocar brasiliense é uma espécie que tem o Cerrado como seu palco principal e sua razão de ser. Sua ecologia é um reflexo direto das condições deste bioma, que é a savana mais rica em biodiversidade do mundo. O Pequizeiro é uma árvore endêmica e uma das espécies mais características e abundantes do Cerrado, sendo um elemento fundamental de suas paisagens. Ele é encontrado em quase todas as fisionomias do bioma, desde os campos mais abertos até os cerradões mais fechados, mas prospera especialmente no cerrado sentido restrito. Sua ocorrência se estende por uma vasta área do Brasil, abrangendo os estados de Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Bahia, Tocantins, Maranhão e Piauí, e também ocorre na Bolívia e no Paraguai. É uma árvore perfeitamente adaptada aos solos profundos, ácidos e pobres em nutrientes, e à forte sazonalidade do clima, com uma estação seca bem definida.

Do ponto de vista da sucessão ecológica, o Pequizeiro é classificado como uma espécie secundária tardia a clímax. Ele não é uma planta pioneira de crescimento rápido, mas sim uma espécie que se estabelece em estágios mais avançados da regeneração, em ambientes que já oferecem uma certa estabilidade. Sua presença é um forte indicador de um ecossistema de Cerrado bem conservado e maduro. Árvores de clímax como o Pequi são essenciais para a manutenção da estrutura e da complexidade do ecossistema a longo prazo. Seu crescimento é lento, pois a espécie investe na formação de uma madeira densa e de um sistema radicular profundo, garantindo sua longevidade e resistência. As interações ecológicas do Pequizeiro são fascinantes e vitais. Suas flores grandes, que se abrem à noite e produzem uma grande quantidade de néctar, são um exemplo clássico de quiropterofilia, a polinização por morcegos. Morcegos nectarívoros são os principais responsáveis por sua polinização, mas as flores também são visitadas por outros animais noturnos, como mariposas, e diurnos, como abelhas grandes e beija-flores, que atuam como polinizadores secundários. A dispersão de suas sementes é igualmente complexa. Os frutos, com sua polpa nutritiva, são um importante recurso alimentar para a fauna. Animais como a anta, o veado, a paca e até mesmo o gado, em áreas de pastagem, consomem os frutos. Ao ingerirem o putâmen (o caroço), eles realizam a escarificação do endocarpo lenhoso em seu trato digestivo e depois o regurgitam ou defecam, espalhando a semente já preparada para a germinação. Esta parceria com a fauna é crucial para a perpetuação e a colonização de novas áreas pelo Pequizeiro.

Usos e Aplicações do Pequi

A Caryocar brasiliense é uma das plantas de uso múltiplo mais importantes do Brasil, uma árvore cuja generosidade se manifesta em uma gama extraordinária de aplicações que permeiam a cultura, a culinária, a economia e a saúde. O principal e mais célebre uso do Pequi é o culinário. Sua polpa amarela, de sabor e aroma intensos e inconfundíveis, é o ingrediente principal de pratos icônicos da cozinha do Brasil Central, especialmente de Goiás e Minas Gerais. O famoso “arroz com pequi” é um prato que transcende a mera alimentação, sendo um símbolo de identidade cultural. Além do arroz, a polpa é utilizada para cozinhar com frango (a galinhada com pequi), com carnes, com macarrão, e para a produção de conservas. A partir da polpa também se fabrica um dos mais apreciados licores do Cerrado, além de doces, geleias, sorvetes e picolés. Da sua amêndoa, ou castanha, escondida sob a camada de espinhos, extrai-se um óleo fino e aromático, que pode ser usado tanto na culinária quanto na indústria de cosméticos. A castanha também pode ser consumida torrada, como um petisco nutritivo.

O óleo de pequi, extraído tanto da polpa quanto da amêndoa, é outro de seus grandes tesouros. Rico em ácidos graxos insaturados, como o ácido oleico, e em compostos bioativos como os carotenoides (que lhe dão a cor amarela) e a vitamina A, o óleo de pequi é valorizado por suas propriedades nutricionais e terapêuticas. É utilizado na medicina popular como anti-inflamatório, cicatrizante e para o tratamento de problemas respiratórios. A indústria de cosméticos o utiliza em cremes, loções e sabonetes, por suas propriedades emolientes e antioxidantes. Na medicina tradicional, diversas partes da árvore são aproveitadas. O chá das folhas é usado para tratar gripes, resfriados e inflamações, enquanto a casca do tronco, rica em taninos, serve para o preparo de tinturas. A madeira do Pequizeiro é de excelente qualidade: pesada, dura, resistente e de alta durabilidade, sendo empregada na construção civil e naval, e para a fabricação de dormentes, postes e moirões. No entanto, devido ao seu crescimento lento e à sua importância como fonte de frutos, seu corte é controlado por lei em muitos lugares. Ecologicamente, seu papel na restauração de áreas degradadas do Cerrado é fundamental. Cultivar o Pequi é, portanto, uma decisão que reverbera em múltiplas dimensões. É investir na cultura e na gastronomia brasileira, é apostar na bioeconomia do Cerrado, é ter acesso a uma farmácia natural e é contribuir para a conservação de um dos nossos biomas mais preciosos.

Cultivo & Propagação do Pequi

O cultivo do Pequizeiro é um ato de paciência, uma semeadura para o futuro, que exige conhecimento técnico para superar os desafios de sua germinação, mas que recompensa o cultivador com uma das árvores mais nobres e úteis do Cerrado. A propagação da Caryocar brasiliense é feita tradicionalmente por sementes, que na verdade são os seus caroços ou putâmens. O processo é notoriamente lento e desafiador, mas fundamental para a produção de mudas e para a expansão de pomares. O primeiro passo é a obtenção dos putâmens, que devem ser extraídos de frutos maduros e sadios. Após o consumo ou a remoção da polpa amarela, os caroços devem ser bem lavados para retirar qualquer resíduo, o que ajuda a evitar o ataque de fungos.

O grande desafio no cultivo do Pequi é a sua profunda dormência. O endocarpo (a camada lenhosa e espinhosa do caroço) é extremamente duro e impermeável, e o embrião dentro dele pode estar em um estado imaturo, necessitando de um período de pós-maturação. Na natureza, essa dormência é quebrada pela passagem pelo trato digestivo de animais ou pela lenta decomposição no solo. Em um viveiro, a germinação de uma semente não tratada pode levar de seis meses a mais de um ano, com taxas de sucesso muito baixas. Para superar isso, algumas técnicas são empregadas. A escarificação mecânica, que consiste em serrar ou rachar cuidadosamente o caroço na extremidade oposta à da inserção do fruto (onde se localiza o embrião), é um método eficaz, mas trabalhoso e que exige cuidado para não danificar a amêndoa. A imersão em soluções de ácido giberélico (um hormônio vegetal) também tem mostrado resultados na aceleração da germinação. A semeadura deve ser feita em recipientes individuais e grandes, como sacos de polietileno, utilizando um substrato bem drenado, como uma mistura de terra, areia e matéria orgânica. Os caroços devem ser plantados a uma profundidade de 5 a 7 cm. Os recipientes devem ser mantidos a pleno sol e com regas periódicas. A germinação, mesmo com os tratamentos, é lenta e desuniforme. O crescimento das mudas também é lento, e elas podem levar mais de um ano para atingir o porte ideal para o plantio no campo. Uma alternativa mais moderna e que tem ganhado espaço é a propagação por enxertia. Utilizando um porta-enxerto de uma muda de semente, enxerta-se um ramo de uma planta adulta já produtiva e de boa qualidade. Este método tem a imensa vantagem de reduzir o tempo para o início da produção de frutos de cerca de 8 anos para apenas 2 ou 3 anos, além de garantir a qualidade dos frutos. O cultivo do Pequi é um campo em constante pesquisa, que busca tornar mais fácil e rápido o estabelecimento desta cultura tão importante para o Brasil.

Referências

A construção deste perfil detalhado e aprofundado sobre o Pequi (Caryocar brasiliense) foi fundamentada em uma ampla gama de fontes científicas, agronômicas, etnobotânicas e culturais, que refletem a imensa importância desta espécie. Para garantir a precisão e a riqueza das informações, foram consultadas as seguintes referências-chave:

• Lorenzi, H. (2002). Árvores Brasileiras: Manual de Identificação e Cultivo de Plantas Arbóreas Nativas do Brasil, Vol. 2. 2ª ed. Nova Odessa, SP: Instituto Plantarum.
• Silva Júnior, M. C. da. (2005). 100 Árvores do Cerrado: Guia de Campo. Brasília: Rede de Sementes do Cerrado.
Flora e Funga do Brasil. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em: http://floradobrasil.jbrj.gov.br/. Acesso contínuo para a verificação da nomenclatura oficial, sinônimos e distribuição geográfica da espécie.
• Almeida, S. P. de, Proença, C. E. B., Sano, S. M., & Ribeiro, J. F. (1998). Cerrado: espécies vegetais úteis. Planaltina, DF: Embrapa-CPAC.
• Gribel, R., & Hay, J. D. (1993). Pollination ecology of *Caryocar brasiliense* (Caryocaraceae) in Central Brazil cerrado vegetation. *Journal of Tropical Ecology*, 9(2), 199-211.
• Publicações e documentos técnicos da Embrapa Cerrados sobre o cultivo, manejo e usos do Pequi, disponíveis em seu repositório de publicações.
• Artigos científicos e teses sobre a germinação, polinização, dispersão e composição química do Pequi, disponíveis em bases de dados como SciELO e Google Scholar.

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