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Sementes de Capitão do mato – Terminalia argentea

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Família: Combretaceae
Espécie: Terminalia argentea
Divisão: Magnoliophyta (Angiospermae)
Classe: Magnoliopsida (Dicotiledôneas)
Ordem: Myrtales

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Introdução & Nomenclatura do Capitão-do-campo

No grande exército de plantas que compõem a vegetação do Cerrado, algumas espécies se destacam por seu porte e por sua presença marcante, assumindo um posto de liderança na paisagem. O Capitão-do-campo, cientificamente conhecido como Terminalia argentea, é, sem dúvida, um desses líderes. Seu nome popular, “Capitão”, e suas variações, como Capitão-do-cerrado ou Capitão-do-mato, são um tributo popular à sua aparência imponente e ao seu papel de destaque na colonização de áreas abertas. Mas o seu nome científico nos revela sua característica mais deslumbrante: *argentea*, em latim, significa “prateado”. E é esta a sua verdadeira coroa, a qualidade que o torna inconfundível. Esta árvore é um farol de prata na paisagem, cujas folhas, cobertas por uma fina e sedosa camada de pelos, brilham e cintilam sob o sol. Seus outros nomes, como Mirindiba ou Pau-de-bicho, são compartilhados com outras espécies, mas a identidade de “Capitão” prateado é só sua.

A nomenclatura científica, Terminalia argentea Mart. & Zucc., nos posiciona dentro da importante família Combretaceae. O gênero Terminalia é famoso por agrupar árvores de grande porte, cujas folhas e frutos muitas vezes se agrupam nas extremidades dos ramos. A história taxonômica da espécie inclui o sinônimo *Terminalia sericea*, onde “sericea”, do latim, significa “sedoso”, mais uma vez reforçando a característica principal de sua folhagem. Estudar o Capitão-do-campo é valorizar uma das mais belas e adaptadas árvores da nossa flora. É entender como a natureza cria soluções de uma beleza extraordinária para os desafios de um ambiente de sol intenso e de seca. É celebrar uma espécie que não apenas sobrevive, mas que brilha, liderando o processo de regeneração e enriquecendo a paisagem com sua presença luminosa. Cada semente alada do Capitão-do-campo é um soldado pronto para conquistar novos territórios e fundar novas legiões de árvores prateadas.

Aparência: Como reconhecer o Capitão-do-campo

A identificação do Capitão-do-campo é uma experiência visual única, um encontro com uma árvore que parece ter sido banhada pela luz da lua. A Terminalia argentea é uma árvore de porte médio a grande, que pode atingir de 8 a 18 metros de altura, com uma arquitetura que é a cara do Cerrado. O tronco é geralmente tortuoso, com uma casca grossa, de cor cinza-escura, profundamente sulcada, que a protege do fogo. A copa é ampla, aberta e muitas vezes estratificada, com galhos que se projetam horizontalmente em andares, criando uma silhueta escultural e muito ornamental.

Mas o grande espetáculo do Capitão-do-campo é, sem dúvida, a sua folhagem. As folhas são a origem de seu nome científico e de sua fama. Elas são simples, de formato elíptico a ovalado, e se agrupam nas pontas dos ramos. O que as torna tão especiais é o indumento seríceo que as cobre em ambas as faces. São pelos finos, curtos e deitados, que conferem às folhas uma textura de seda e, o mais importante, uma coloração prateada ou cinza-esbranquiçada. Esta cobertura de pelos é uma adaptação brilhante para a vida no Cerrado: ela reflete o excesso de radiação solar, reduzindo a temperatura da folha, e cria uma camada de ar parado que diminui a perda de água por transpiração. Mas o resultado estético é deslumbrante. Um bosque de Capitães-do-campo sob o sol do meio-dia é uma visão etérea, uma paisagem de árvores que parecem brilhar com uma luz própria. A árvore é decídua, perdendo suas folhas prateadas durante a estação seca. A floração é discreta. As flores são pequenas, de cor creme a esverdeada, e se agrupam em inflorescências curtas e densas (espigas subcapitadas) que surgem nas axilas das folhas. Após a polinização, formam-se os frutos, que são uma obra de arte da engenharia aerodinâmica. O fruto é uma sâmara, com um núcleo central onde se aloja a semente, e duas grandes asas opostas, de cor marrom-avermelhada. Este fruto em forma de hélice é perfeitamente projetado para ser carregado pelo vento, girando enquanto cai e viaja para longe da árvore-mãe.

Ecologia, Habitat & Sucessão do Capitão-do-campo

A ecologia da Terminalia argentea é a de uma pioneira por excelência, uma espécie de uma resiliência e de uma capacidade de colonização que a tornam um dos pilares dos ecossistemas abertos do Brasil. O Capitão-do-campo é uma árvore de vastíssima distribuição, ocorrendo nos biomas Amazônia, Caatinga, Cerrado e Mata Atlântica. Sua presença mais forte e característica, no entanto, é no Cerrado, onde é uma das espécies mais comuns e emblemáticas da paisagem. Ele habita o cerrado sentido restrito, os cerradões e as matas de galeria, sempre em solos bem drenados, sejam eles arenosos ou argilosos. É uma espécie que necessita de sol pleno para se desenvolver, sendo intolerante à sombra.

No grande processo de sucessão ecológica, o Capitão-do-campo é classificado como uma espécie pioneira a secundária inicial. Sua estratégia de vida é a da conquista de espaços abertos e degradados. Suas sementes aladas são dispersas pelo vento (anemocoria), um mecanismo altamente eficiente para alcançar clareiras e áreas que sofreram perturbações, como queimadas ou desmatamentos. Seu crescimento é rápido, o que lhe permite se estabelecer e dominar a vegetação rasteira, iniciando o processo de sombreamento do solo. É uma espécie extremamente adaptada ao fogo. Sua casca grossa e suberosa funciona como um isolante térmico, protegendo os tecidos vivos do calor das queimadas. Esta resistência ao fogo, combinada com sua capacidade de colonizar áreas abertas, faz dela um dos principais componentes da vegetação do Cerrado. As interações do Capitão-do-campo com a fauna são mais sutis do que as de árvores com frutos carnosos. Suas flores atraem insetos polinizadores, como pequenas abelhas. As folhas, apesar de sua cobertura de pelos, podem ser consumidas por alguns animais. Seu principal serviço ecológico é o de ser um “engenheiro de ecossistemas”: ao colonizar solos pobres e degradados, ele protege o solo da erosão, cria um microclima mais ameno com sua sombra e contribui com matéria orgânica através da queda de suas folhas, preparando o terreno para a chegada de outras espécies e para o avanço da sucessão florestal.

Usos e Aplicações do Capitão-do-campo

A Terminalia argentea é uma árvore de múltiplos dons, cujas aplicações vão da construção civil e da medicina popular à recuperação de ecossistemas e ao paisagismo de alto padrão. A madeira do Capitão-do-campo é de boa qualidade, sendo classificada como moderadamente pesada, de boa resistência e de fácil trabalhabilidade. É utilizada na construção civil, para vigas, caibros e estruturas internas; na marcenaria, para a confecção de móveis rústicos; e para a produção de lenha e carvão de bom poder calorífico.

Na medicina popular, a casca do Capitão-do-campo, rica em taninos, é muito valorizada. O chá de sua casca é utilizado como um poderoso adstringente, no tratamento de diarreias e disenterias. Também é empregado externamente, para lavar feridas e úlceras, por suas propriedades cicatrizantes e antissépticas. A casca também pode ser utilizada para o curtimento de couros, devido à alta concentração de taninos. O uso mais nobre e promissor da espécie, no entanto, está em sua beleza e em sua força como pioneira. No paisagismo, o Capitão-do-campo é uma árvore ornamental de valor inestimável. Sua folhagem prateada, que brilha com o sol, cria um efeito cênico espetacular e um contraste de cor e de textura magnífico em qualquer jardim. É a escolha perfeita para jardins de estilo naturalista, para o xeripaisagismo (jardinagem de baixo consumo de água) e para a arborização de parques e avenidas em regiões de clima quente e seco. Na restauração ecológica, seu papel é fundamental. Por ser uma pioneira de crescimento rápido, rústica e adaptada a solos pobres, é uma das espécies mais indicadas para a recuperação de áreas degradadas no Cerrado e na Caatinga. Seu plantio é o primeiro passo para trazer a vida de volta a solos exauridos. A decisão de cultivar o Capitão-do-campo é uma escolha pela beleza, pela resiliência e pela funcionalidade. É trazer para a paisagem a luz prateada do Cerrado e, ao mesmo tempo, utilizar uma poderosa ferramenta para a cura da terra.

Cultivo & Propagação do Capitão-do-campo

O cultivo do Capitão-do-campo é um processo relativamente simples e de resultados rápidos, o que o torna uma excelente opção para projetos de restauração, paisagismo e silvicultura. A propagação da Terminalia argentea é feita principalmente por sementes, que estão contidas em seus frutos de duas asas. O primeiro passo é a coleta dos frutos (sâmaras), que deve ser feita quando eles estão secos e maduros na árvore, começando a se desprender com o vento. Pode-se coletar os frutos diretamente dos galhos ou no chão, logo após a queda.

Uma grande vantagem do Capitão-do-campo é que suas sementes não apresentam dormência e possuem uma boa taxa de germinação quando são frescas. Não são necessários tratamentos pré-germinativos complexos. A semeadura pode ser feita com o fruto inteiro, sem a necessidade de remover as asas ou de extrair a semente. A semeadura deve ser realizada em recipientes individuais, como saquinhos plásticos ou tubetes, utilizando um substrato leve e bem drenado. As sâmaras devem ser enterradas a uma profundidade de 1 a 2 cm. Os recipientes devem ser mantidos em um local de sol pleno, pois a espécie necessita de muita luz desde o início de sua vida. A germinação é rápida, ocorrendo geralmente entre 15 e 30 dias. O desenvolvimento das mudas também é muito rápido. Em apenas 4 a 6 meses, as mudas já atingem de 25 a 40 cm de altura e estão prontas para o plantio no local definitivo. O plantio no campo deve ser realizado no início da estação chuvosa. A *Terminalia argentea* é uma árvore extremamente rústica, que se adapta a solos pobres e ácidos e é muito resistente à seca. Seu cultivo é uma ferramenta poderosa para quem busca resultados rápidos e eficientes na formação de uma cobertura florestal e na recuperação da paisagem.

Referências

• Lorenzi, H. (2002). Árvores Brasileiras: Manual de Identificação e Cultivo de Plantas Arbóreas Nativas do Brasil, Vol. 2. 2ª ed. Nova Odessa, SP: Instituto Plantarum.
Flora e Funga do Brasil. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em: <http://floradobrasil.jbrj.gov.br/>. Acesso contínuo para a verificação da nomenclatura oficial, sinônimos e da vasta distribuição geográfica da espécie.
• Ribeiro, R. T. M., Loiola, M. I. B., & Sales, M. F. de. (2018). *Terminalia* L. (Combretaceae) do Estado de Pernambuco, Brasil. *Hoehnea*, 45(2), 307–313.
• Artigos científicos sobre a ecologia, a germinação e o potencial de restauração de *Terminalia argentea* em áreas de Cerrado, disponíveis em bases de dados como SciELO e Google Scholar.
• Manuais técnicos da Embrapa Cerrados sobre espécies nativas para a recuperação de áreas degradadas e para sistemas silvipastoris.

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